O FBI e a Lava-Jato

É grave a notícia trazida pela Agência Pública de que agentes do FBI tenham participado diretamente da operação Lava-Jato.

Não há dúvidas de que todo tipo de corrupção deve ser combatida e todos os meios lícitos devem ser utilizados, mas admitir a interferência de países estrangeiros diretamente nas investigações sem autorização da Justiça põem em risco a soberania nacional e a isonomia dos órgãos punitivos.

Essas colaborações ilegais, sem autorização da justiça, se concretizam como braços operativos internacionais de serviços de inteligência estrangeiro, guiando a escolha de alvos tidos como inimigos e a preservação de aliados, em um combate mentiroso à corrupção, apenas de alvos já escolhidos.

Somada a atuação política da equipe da Lava-Jato, a operação se transformou em um partido, influenciando diretamente no curso das eleições através da aceleração artificial do andamento de processos, decisões combinadas com a acusação e mandados de prisão “a jato”.

Nem mesmos as férias do então juiz Sergio Moro o impediram de despachar nos processos. Indício mais do que significativo de que o ex-juiz não atuava em prol da justiça, mas sim em defesa de interesses próprios ou alheios a função que exercia como juiz do processo.

Hoje, sem o acordo ilegal entre Juiz e Ministério Público, a Lava-Jato começa a enfrentar o peso das ilegalidades cometidas, começando pela distorção ampla do sistema acusatório brasileiro, até o questionamento sobre os limites da autonomia do Ministério Público.

A atuação de serviços de inteligência estrangeiros em território nacional sem autorização da justiça se chama espionagem e é ainda mais grave quando aliada a membros da Justiça e do Ministério Público.

Quando as investigações criminais se embrenham em métodos escusos e colaborações ilegais e ilegítimas, a Justiça se esvai e o que sobra é apenas uma forma extremamente corrupta de atuação Política.

* Imagem: À esquerda, Coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol foi alertado sobre ilegalidade da cooperação com com agentes do FBI, mas optou por agir fora da lei / Rede Brasil Atual. À direita,  Christina Martinez (quarta pessoa da esquerda para à direita) e agentes do FBI visitaram o Grupamento de Radiopatrulha Aérea (GRPAe) da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) / Agência Pública.

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