Os Juízes políticos da Lava-Jato

Nada faz tão mal para a economia de um país quanto uma justiça parcial a serviço de interesses políticos indefensáveis. Mas é assim que agem os Juízes, Desembargadores e Promotores políticos da Lava-Jato.

Com mandados de prisão preventiva contra réus com endereço fixo e por fatos pretéritos, somados a vazamentos de delações que ainda não transitaram em julgado com o objetivo de prejudicar a reputação de adversários, os Juízes se jogam de cabeça no lamaçal da política partidária. Carregam consigo para a sarjeta da história a esperança de existir no Brasil um ambiente sadio para negócios.

A politização da Justiça cobra seu preço em dólares. Seja pela desvalorização da moeda eja pela perda da atratividade do país para investimentos. O dinheiro não tolera desaforos. Diante de uma Justiça parcial, o dinheiro se protege. Faz as malas e vai embora.

Justiça exige o dever inafastável da imparcialidade.

Juiz não é jogador, juiz é árbitro.

O que a Lava-Jato mostrou ao Brasil foram os graves efeitos deletérios do estrelismo judiciário. Que agora direcionam a culpa a bodes expiatórios como a China, a previdência social ou os servidores públicos, para desviar a atenção dos prejuízos causados pela falta de profissionalismo e excesso de vaidade dos Juízes, Desembargadores e Promotores políticos da Lava-Jato.

Os prejuízos à economia nacional causados pela Lava-Jato já estão consolidados. O que precisamos agora é recuperar a imparcialidade da Justiça em busca da segurança jurídica levada embora.

Prerrogativas

Não precisa ser um expert em direito para sabe que se um juiz fez um acordo com a outra parte, grampeou você e seus advogados e escondeu provas a seu favor com o objetivo de te condenar e enganar o tribunal superior você não foi julgado, foi apenas vítima de uma armação judicial.

Mesmo assim um grupo de advogados de defensores públicos chamado Prerrogativas decidiu reunir informações sobre os acordos ilegais e tratativas escusas dos bastidores da Lava-Jato e o ex-Juíz.

O livro se chama “Livro das Suspeições” e está sendo lançado neste sábado (1º) em um evento virtual.

O objetivo é fomentar o debate sobre os limites da interferência de juízes no curso das investigações e do processo penal, recuperando os limites republicanos do devido processo legal.

É o que precisa ser feito para o Brasil voltar ao estado de direito e deixar de lado o lavajatismo ilegal.

O FBI e a Lava-Jato

É grave a notícia trazida pela Agência Pública de que agentes do FBI tenham participado diretamente da operação Lava-Jato.

Não há dúvidas de que todo tipo de corrupção deve ser combatida e todos os meios lícitos devem ser utilizados, mas admitir a interferência de países estrangeiros diretamente nas investigações sem autorização da Justiça põem em risco a soberania nacional e a isonomia dos órgãos punitivos.

Essas colaborações ilegais, sem autorização da justiça, se concretizam como braços operativos internacionais de serviços de inteligência estrangeiro, guiando a escolha de alvos tidos como inimigos e a preservação de aliados, em um combate mentiroso à corrupção, apenas de alvos já escolhidos.

Somada a atuação política da equipe da Lava-Jato, a operação se transformou em um partido, influenciando diretamente no curso das eleições através da aceleração artificial do andamento de processos, decisões combinadas com a acusação e mandados de prisão “a jato”.

Nem mesmos as férias do então juiz Sergio Moro o impediram de despachar nos processos. Indício mais do que significativo de que o ex-juiz não atuava em prol da justiça, mas sim em defesa de interesses próprios ou alheios a função que exercia como juiz do processo.

Hoje, sem o acordo ilegal entre Juiz e Ministério Público, a Lava-Jato começa a enfrentar o peso das ilegalidades cometidas, começando pela distorção ampla do sistema acusatório brasileiro, até o questionamento sobre os limites da autonomia do Ministério Público.

A atuação de serviços de inteligência estrangeiros em território nacional sem autorização da justiça se chama espionagem e é ainda mais grave quando aliada a membros da Justiça e do Ministério Público.

Quando as investigações criminais se embrenham em métodos escusos e colaborações ilegais e ilegítimas, a Justiça se esvai e o que sobra é apenas uma forma extremamente corrupta de atuação Política.

* Imagem: À esquerda, Coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol foi alertado sobre ilegalidade da cooperação com com agentes do FBI, mas optou por agir fora da lei / Rede Brasil Atual. À direita,  Christina Martinez (quarta pessoa da esquerda para à direita) e agentes do FBI visitaram o Grupamento de Radiopatrulha Aérea (GRPAe) da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) / Agência Pública.

Fim da linha pra DD PowerPoint?

O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) irá julgar na terça-feira (7) a representação da defesa do ex-presidente Lula que acusa o procurador Deltan Dallagnol e outros colegas da força-tarefa da Lava-Jato de abuso de poder na trapalhada do PowerPoint.

Aquela mesma, na qual Lula figurava ao centro com todas as setas do mundo em direção a si.

Lula foi absolvido da acusação formalizada no mesmo dia pela operação Lava-Jato. A decisão é definitiva já que Ministério Público Federal não recorreu e aceitou o resultado.

Em maus lençóis

O julgamento ocorre em um momento difícil para o Procurador do Power-Point.

Na última semana, a equipe da Lava-Jato em Curitiba entrou em um complicado desentendimento com a PGR por causa de informações que tenta a todo custo esconder da PGR.

Sobrou, inclusive, reclamação sobre quebra de sigilo pela equipe da Lava-Jato, por conta do “estranho vazamento” de assuntos sigilosos do Ministério Público para a imprensa, expediente adotado como arma política pela equipe da Lava-Jato.

A mesma PGR, diga-se de passagem, chefiada hoje pelo Procurador Augusto Aras. Atual presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, órgão que irá julgar o pedido de providências feito pela defesa do ex-presidente contra o Procurador Deltan Dallagnol no caso do PowerPoint.

 

Arapongagem internacional

Reportagem do site The Intercept, em parceira com a Agência Pública, divulgada nesta quarta-feira (1º) revela detalhes da atuação da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba em estreita colaboração com agente especial do FBI, bureau estadunidense de investigação. Concedendo, aos arapongas internacionais, total conhecimento das investigações. O que se recusou a conceder à Procuradoria Geral.

Foi com base nessa colaboração ilegal, escondida dos órgãos de controle e da alta corte do Brasil, que o governo norte americano investigou e puniu com multas bilionárias a as empresas brasileiras Odebrecht e Petrobrás, inviabilizando a operação da primeira e colaborando para a venda de ativos a preço reduzido da estatal.

Ao se recusar a compartilhar dados com os órgãos nacionais de combate a corrupção e agir de forma escondida da justiça Brasileira a Lava-Jato opera como verdadeiro braço de espionagem a serviço de interesses internacionais.

A pergunta que fica é se isso se inclui entre a “total autonomia” concedida ao Ministério Público na Constituição.

Pode uma equipe do Ministério Público Federal quebrar sigilos sem autorização da justiça, negar acesso a informações aos órgãos de controle nacionais e, ao mesmo tempo agir de forma autônoma e ilimitada, compartilhar esses dados com serviços de inteligência estrangeiros e usar dinheiro público brasileiro contra os interesses nacionais?

O que Lava-Jato esconde nos mais 4 anos de grampos ilegais e 1.000 inquéritos abertos e sem conclusão?

Deltan Dallagnol pode escolher quais dados e informações compartilhar ou não com a Procuradoria Geral?

O que esconde a Lava-Jato?

O aparente surto dos procuradores integrantes da força-tarefa da Lava-Jato junto a Procuradoria Geral da República põem em evidência um sintoma que já se mostra de forma muito clara.

Os membros da operação Lava-Jato, ao darem um nome à operação e ao tentarem eterniza-la, criaram para si uma ilha separada do Estado.

Acham quase que a Lava-Jato existe por si própria. Que seus salários não são pagos com dinheiro público e que não devem prestar contas dos seus atos.