No País da rachadinha

Do Valdir Cruz, em seu perfil no Facebook.

Atenção Ministério Público! A rachadinha continua a todo vapor. Em em todo o País. Não funciona mais mediante o “rachide” do salário. Dá muito na cara e deixa rastos bem perceptíveis.

A nova modalidade de achaque aos servidores comissionados funciona assim agora:

1) Na hora da contratação, o chefe exige que o funcionário recém empossado faça um empréstimo consignado. O valor do empréstimo normalmente é alto. Acima de 50 mil. E é sacado em dinheiro vivo e repassado a alguma pessoa indicado pelo político. O número de parcelas do empréstimo é igual ao mandato. Ou seja, em 48 vezes – ou quatro anos.

2) A contratação só irá se dar depois que o novo funcionário repassar todo o “empréstimo” à pessoa indicada pelo chefe. As prestações cairão, mensalmente, direto na folha de pagamento.

3) A única certeza que o comissionado tem é que não será exonerado enquanto estiver pagando o empréstimo “doado” ao chefe.

Com essa “solução”, o político canalha segue sendo o canalha que sempre foi, mas consegue se livrar de uma possível investigação. Já o pobre coitado que topou esse jogo (muito sujo e rasteiro) tem que se calar. E por dois motivos:

a) Para não perder o emprego.

b) O político pode alegar (e normalmente já deixa isso claro) que se o contratado denunciá-lo, o jogo pode se virar contra ele. O político irá alegar que houve suborno na hora de preencher a vaga.

E então…? Cabe uma investigação nesses empréstimos consignados feitos por comissionados?

. . .

Se já está assim, imagina só durante as eleições.